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Quinta-feira, 25 de Julho de 2024

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Os acordos globais e o Brasil no meio disso: Parte 2 - O Acordo de Paris

Em 2021, fazem 5 anos que o Acordo de Paris foi assinado por potências. A pergunta que a população faz é: nos serviu de algo?

Aline Stolz - Papo Ambiental
Por Aline Stolz - Papo Ambiental
Os acordos globais e o Brasil no meio disso: Parte 2 - O Acordo de Paris
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Em 2021, fazem cinco anos que o Acordo de Paris foi assinado por potências globais. A pergunta que a população faz é que se nos serviu de algo? A resposta é um tanto complexa, pois se olharmos pelo lado das emissões, da temperatura e dos impactos, o acordo não serviu, mas até agora não reverteu cenários com as piores tendências.

Outro questionamento que se faz é se os setores de baixo carbono como as energias solar e eólica, os veículos elétricos e outros tiveram seu avanço acelerado, desacelerando os setores fósseis? A consultoria Systemiq se debruçou sobre os dados econômicos destes setores e concluiu que a economia global pode estar a uma década de pontos de inflexão na direção de baixos níveis de emissão de carbono, ou seja, com atraso e descaso.

Classificado como “documento histórico” por Ban Ki Moon - secretário-geral da ONU, o Acordo de Paris – documento firmado em 12 de dezembro de 2015 na COP21, em Paris – tornou-se há o primeiro acordo global sobre o clima desde 1997 com o Protocolo de Kyoto.

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O Acordo de Paris é o primeiro da história a apresentar compromissos de todos os signatários pela descarbonização do planeta e em termos práticos, aponta caminhos para que o aumento médio da temperatura na Terra fique em 1,5°C ou bem abaixo dos 2°C.

Todos os países que fazem parte da Convenção do Clima, assinada 1992, devem adotar metas determinadas nacionalmente para o combate ao aquecimento global e colocá-las em prática, apesar da legislação internacional não determinar como obrigatório que cada nação cumpra com suas promessas. Antes do acordo fechado na França, apenas as nações ricas tinham alguma meta de corte de emissões de gases de efeito estufa.

O Acordo de Paris tem força de lei internacional, por ser uma regulamentação da Convenção do Clima da ONU, assinada em outro evento climático histórico, a Rio 92, realizada no Brasil.

Desde a definição do Acordo de Paris, as emissões de gases de efeito estufa aumentaram de 53 bilhões de toneladas de CO2 em 2015 para 55 bilhões de toneladas em 2020.

Desde 2015, apesar de haver um progresso muito rápido de soluções tecnológicas e mercados de baixo carbono, raramente poderiam competir com as soluções fósseis amplamente consolidadas. Atualmente, as soluções carbono-zero são competitivas em setores que representam cerca de 25% das emissões globais. Até 2030, essas soluções podem vir a ser competitivas em setores que, somados, poderão representam mais de 70% das emissões. Uma revolução oculta está atualmente nos impulsionando para um futuro livre de emissões de carbono e digital.

Como as soluções de baixo carbono se combinam com a digitalização na reestruturação das nossas economias, as empresas que demorarem a se adaptar não só perderão os múltiplos ganhos advindos da transformação, mas também correrão o risco de retroceder seu crescimento ou a apresentar menor produtividade, menor criação de empregos e perder competitividade. Países, empresas e investidores têm uma oportunidade única de impulsionar indústrias carbono-zero ainda na década de 2020, criando crescimento consistente, milhões de empregos e economias mais resilientes.

As políticas de baixo carbono alinhadas com o Acordo de Paris estão surgindo com um potencial de impacto abrangente. Por exemplo, a possibilidade de ajustes fiscais de carbono nas fronteiras em estudo pela UE, pelo Reino Unido e pelos EUA do presidente- eleito Joe Biden, ou seja, nada mais, nada menos que países que representam mais de 30% do valor das importações globais e que já estão afetando o comportamento nos mercados de commodities como aço, alumínio, de soft commodities, nos quais a perspectiva de exigências mais rigorosas de comprovação pelas empresas do ramo alimentício de que suas cadeias de fornecimento são livres de desmatamento está levando a mudanças antecipadas de comportamento.

Por seu lado, a comunidade financeira começou a integrar a questão climática como um fator significativo na decisão de seus principais investimentos, utilizando tecnologias limpas e responsabilidade socioambiental nas comunidades onde se incluem.

No entanto, a maioria dos países não está se movendo com rapidez suficiente, haja visto que o apoio governamental às indústrias fósseis existentes são, em última análise, insensatas, embora nelas residam os empregos atualmente. Ao não prever o ritmo das mudanças para utilizarem-se de tecnologias limpas, estes países estão tomando más decisões políticas e de investimento além de desperdiçar o dinheiro dos contribuintes e afastar investidores.

Para aproveitar a essa grande oportunidade, os países precisam tomar medidas decisivas ao longo do próximo ano até a COP26 em Glasgow. Mas de que forma? Individualmente, podem enviar sinais políticos inequívocos para a economia real por meio de metas consistentes e ambiciosas, de regulações, de incentivos fiscais de cumprimento de suas políticas públicas de preservação ao meio ambiente. Coletivamente, uma maior cooperação internacional setorizada acelerará as mudanças, alinhando as cadeias de fornecimento globais, impulsionando coletivamente melhorias de custo e desempenho, aderindo a programas como ESG e ISO.

O argumento em prol do autobenefício nunca foi tão forte. O fato é que os atores da economia real precisam agir rapidamente para permanecerem relevantes, incluindo as empresas, em especial a dos setores intensivos em carbono e outros recursos naturais, juntamente com a comunidade financeira. Os países, empresas e cidades que hoje atuarem de forma decisiva, fortalecerão suas próprias perspectivas competitivas e impulsionarão uma transformação da economia real que pode proporcionar crescimento, empregos e retornos de alta qualidade e menor risco.

 

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