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Quinta-feira, 25 de Julho de 2024

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Piranhas mais próximas do Guaíba: o desequilíbrio ambiental e as palometas no Rio Jacuí

Atualmente as piranhas estão cada vez mais próximas do Lago Guaíba, colocando em alerta as autoridades ambientais do RS

Aline Stolz - Papo Ambiental
Por Aline Stolz - Papo Ambiental
Piranhas mais próximas do Guaíba: o desequilíbrio ambiental e as palometas no Rio Jacuí
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As consequências ambientais, sociais e econômicas pela invasão de palometas na Bacia do Rio Jacuí foi debatido pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo da Assembleia Legislativa, em audiência pública virtual nesta quinta-feira – 06/05, por solicitação da Câmara de Vereadores de Sobradinho. Na oportunidade, se fizeram presentes os representantes da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), deputados estaduais, de autoridades e lideranças federais, estaduais e municipais, do Ministério Público, IBAMA, além de universidades, especialistas, ambientalistas e pescadores.

Para conhecimento, a palometa é uma espécie de peixe de água doce, natural do Rio Uruguai, um tipo de piranha, com caráter predador voraz e agressivo. Possui dentes afiados e ataca outros peixes do mesmo ecossistema, causando desequilíbrio populacional animal. Sua presença em grande quantidade de indivíduos na Bacia do Rio Jacuí, principalmente avistadas desde fevereiro de 2021em Rio Pardo, Vale Verde, Cachoeira do Sul, Bom Retiro do Sul e General Câmara, já é considerada uma invasão biológica. Também são chamadas de chupita, coicoa, piranha-caju e piranha-vermelha-da-amazônia.

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Na fronteira, basicamente em Rosário do Sul, foram registrados mais de cem ataques a banhistas no verão de 2020 e atualmente estão cada vez mais próximas do Lago Guaíba, colocando em alerta as autoridades ambientais do Estado. 

O fenômeno da infestação vem ocorrendo também em rios das regiões Centro-Serra e Quarta Colônia e os rios Santa Maria e Vacacaí, na região da Fronteira Oeste. Relatos do presidente da Câmara de Vereadores de Sobradinho, Valdecir Billian e de representantes de Sindicatos de Pescadores de várias localidades ao longo da Bacia do Rio Jacuí, afirmam que a proliferação do invasor aumentou de forma descontrolada nos últimos meses, provocando a paralisação da produção pesqueira da região, prejuízos às famílias dependentes do setor pesqueiro e a desativação de balneários turísticos.

...O presidente da Federação dos Pescadores do RS, Gilmar Coelho, afirma que a presença das palometas na Bacia do Rio Jacuí não é novidade, no entanto, que relatos de pescadores indicam a incidência bem maior do peixe nesse ano. Culpou a construção de barragens sem preocupação com o ambiente natural pelo problema, ao impedir a desova e a diminuição populacional do dourado, principal predador do peixe e a dificuldade de sobrevivência de cerca de 70 famílias de pescadores do distrito de Santo Amaro, no município de General Câmara.

Órgãos de Fiscalização Ambiental e estudiosos não sabem explicar como as palometas infestaram os rios e lagoas do Estado. Pesquisadores especulam que tenham sido tragadas pelas tubulações usadas para irrigar lavouras às margens dos rios Vacacaí e Ibicuí, onde se encontram as bacias do Uruguai e do Jacuí, aos poucos, foram se reproduzindo e, com comida farta, aumentaa-se a população invasora.

.O problema é tão grande, que inicialmente, as primeiras palometas mediam cerca de três centímetros. Atualmente, pela fartura de alimento como tambicas, violas e até cascudos - que tem o couro mais duro, já chegam a 12 centímetros, atacando em bandos de cinco indivíduos. Estima-se que, de cada 30 peixes que os pescadores trazem nas redes, elas comem 28 ou 29.

Pescadores do distrito de Santo Amaro na colônia de pescadores localizada a 12 quilômetros de General Câmara afirmam que a situação é ainda mais dramática devido à queda no nível da água, por causa da barragem de Amarópolis, construída em 1974, que está com 18, das 84 comportas emperradas. A falta de manutenção fez com que a água recuasse mais de três metros, tornando a pescaria uma atividade ainda mais escassa pela falta de traíras, jundiás e dourados, este último que seria um predador natural das palometas. É desgraça em cima de desgraça. Primeiro a barragem, que tirou os melhores peixes e agora as palometas que estão comendo os que restaram.

Enquanto as palometas avançam em direção ao Lago Guaíba, pesquisadores e autoridades ambientais estudam formas de contenção. Segundo o analista ambiental do Ibama Maurício Vieira de Souza, são poucas as iniciativas capazes de surtir efeito no curto prazo, pois trata-se de uma invasão silenciosa, só percebida quando já está em nossas águas e muito difícil de ser contida, já que até agora, não se tem nenhuma ação em curso. Aos poucos, as palometas estão sendo integradas à cadeia alimentar, mas isso também depende da capacidade de resistência do ambiente.

Após a reunião ordinária virtual, o Presidente da Comissão de Agricultura, Adolfo Brito, informou que ficou definido pela criação de um grupo de trabalho, com a participação de todas as partes interessadas e sob a coordenação da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, a qual buscará alternativas e soluções, dentro da ciência e da legislação, ao problema da proliferação das palometas.

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