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Quinta-feira, 18 de Julho de 2024

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Quanto de tradicional ainda resiste no meio tradicionalista? Quem se preocupa?

Paixão Cortes sempre ressaltava “representamos a essência da formação de um povo”

Mário Terres - Tradicionalismo
Por Mário Terres -...
Quanto de tradicional ainda resiste no meio tradicionalista? Quem se preocupa?
Ivo Gonçalves / PMPA
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Algumas coisas nessa vida não mudam...

Quantas vezes já escutamos essa afirmação da boca de pessoas mais vividas que a gente? Várias com certeza. As vezes são expressões de negatividade relacionados há alguma desilusão, noutras, apenas o relato de que se esperava algo distinto do que está ocorrendo, algo que evoluísse.


No caso do Tradicionalismo, esperamos ao contrário. A vida ao entorno deve evoluir, mas o resgate deve ser constante e a busca da essência mais pura e singela deve ser interminável. Nosso mestre Paixão Cortes sempre ressaltava isso: “Representamos a essência da formação de um povo”. E a essência da formação está contida basicamente no setor primário, nas sesmarias entregues a guerreiros que defenderam as divisas e não deixaram a invasão hispânica transmutar o dialeto dessa província.

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Assim aprendemos a cuidar da terra, constituir família, estabelecer postos de trabalho, cuidar do campo e do gado, estratificar suas riquezas, subsistir para depois coexistir. Imaginem então, peço a reflexão para que entendam o porquê de tudo que escrevo. O sul ainda em formação com rebanhos de gado alçado; as ñandus correndo sua corrida de pernas finas e longas, fugindo das boleadeiras índias; os charruas ensinando os campeiros a destreza de montar os animais cavalares; os tropeiros em seus muares, levando de uma ponta a outra desse Brasil as cargas, os costumes, miscigenando culturas e apresentando as diversidades de um país ainda jovem, despertando para a vida.


O sabido Machado de Assis já separava nosso país em duas fatias: o Brasil real e o Brasil oficial, onde o real era o reflexo do povo… e era o povo.. Gosto sempre de propor a reflexão e nunca me acho dono da verdade. Pelo contrário, outro dia o Nivaldo Rosa, meu amigo de longa data e que compartilha da caminhada que fazemos na trilha da dança tradicional, me enviou um texto com sua opinião que, em alguns aspectos, divergia da minha.


Quero aproveitar e publicamente agradecer pelo texto e pela postura de ser transparente e convicto dessa opinião. O que nos faz crescer enquanto indivíduos que conseguem debater assuntos, sem perder o tino da amizade e do respeito. Isso me faz sempre refletir e buscar inspirações. Como sou leitor de várias obras, gosto de dizer que bebo em fontes puras mas de águas distintas, busquei nelas mais argumentos para seguir na prosa.


Lembram que o movimento tradicionalista, que começa em agosto de 1947, tem por prerrogativa o resgate dos costumes do homem do campo? Sim, isso mesmo. Assim descreve Barbosa Lessa e Paixão Cortes em entrevista à um jornal em 1994. Essas duas figuras, dentre tantas que lutaram e seguem lutando pelo tradicionalismo, tem em sua história uma particularidade, eles criaram a identidade cultural do gaúcho campesino e divulgaram ela pelo mundo. Ele, João Carlos D’Ávila Paixão Cortes, preocupado com os rumos e olhando o universo da dança disse: “A preservação da tradição tem continuidade daqueles que tem consciência e alma de terra! ”


Consciência, meus queridos leitores, é que as vezes falta para os que ensinam, mas mais ainda para os que aprendem. Ninguém se dá conta que a base de tudo tem um contexto comercial? Que o capital que gira em torno do tradicionalismo tem crescido cada vez mais e mais e mais. Não estou pondo julgamento, só reflexão. Afinal eu compro com meu dinheiro aquilo que eu quero, não é assim?


Se eu deixo outros tomar conta da minha opinião, burro sou eu. Em se tratando da consciência, o que falta em minha burrice de opiniático colunista, é que os alunos, em grande maioria, não estão preocupados com o conteúdo. Apenas querem receber sem esforço. Para tanto pagam por tudo o que recebem e, já que não querem o mínimo de troca (afinal não tem o que oferecer, só receber) tem mais que pagar e aceitar. Que duro não? Mas é a mais pura e sincera verdade. Só existe troca quando mais de um se manifesta, o que ensina, aprende ainda mais quando provocado e explicar, quando desafiado a debater.


Mas para isso há que se ter massa crítica, há que se buscar nos livros os argumentos para contrapor os ensinamentos e hoje em dia, sincera e desoladamente, pouco ocorre, afinal ler dá trabalho. As pessoas precisam questionar mais, mas para isso precisam se informar mais, buscar as suas convicções embasadas na história. Afinal, quando falamos de tradição estamos resgatando a história e o legado de um povo que criou uma identidade cultural com medo de perder-se no estrangeirismo.

Daí surge a identidade do gaúcho, rebuscada e direcionada aos campesinos. Aos simples homens do campo, que dançavam com suas botas de garrão ou de couro negro, em suas pilchas simples, mas de bom trato. Com as damas de vestido com cores de acordo com a idade, mas nunca se viu na história algum registro de bailes onde todos estavam vestidos com as mesmas roupas, com os mesmos penteados e dançando de forma robotizada. Se estou errado, quero ter a oportunidade de ser corrigido e repreendido por falácias infundadas.


Caríssimos antes, porém, visitem Debret, Saint-Hilaire, Borges Fortes, Fernando Assunção, Simões Lopes Neto, Augusto Meyer, J. C. Paixão Cortes, Barbosa Lessa. Ufa! Vai se divertir muito entendendo dos aspectos sociais e culturais da formação do nosso estado. Daí vai também entender a preocupação do quanto o “novo” pode prejudicar o Tradicional.


Não sou avesso a mudanças, afinal sou da área de tecnologia, mas me preocupo com aquilo que prometemos ao “Velho Paixão”, que era preservar sem perder a essência, fico apreensivo e preocupado...

 

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