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Sexta-feira, 19 de Julho de 2024

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Solidário, responsável e verde: conheça 17 benefícios da Cadeia de Consumo Sustentável 

O consumismo é um desperdício em excessos, mas o consumo sustentável, responsável e verde favorece a vida

Aline Stolz - Papo Ambiental
Por Aline Stolz - Papo Ambiental
Solidário, responsável e verde: conheça 17 benefícios da Cadeia de Consumo Sustentável 
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Por muito tempo o excesso de consumo e a produção desenfreada de produtos trouxeram danos ao planeta, desgaste e escassez afetaram a natureza e, após muito se discutir, a sociedade percebeu a necessidade de consumir de forma consciente: menos e com mais qualidade.

A partir desse novo olhar, o conceito de sustentabilidade se tornou assunto de grande importância nas discussões sociais e ambientais, colocando em foco a preservação e conservação de nossos ecossistemas, assim como novas empresas, de variados nichos, nasceram com o propósito de oferecer ideias e produtos inovadores, priorizando a responsabilidade ecológica e também a prática da qualidade.

 

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De que forma a sociedade e os cidadãos tem praticado o Consumo Sustentável?

Tudo inicia com mudanças no comportamento da cadeia de consumo, a fim de criar consciência sobre a forma de comprar, pagar, receber e descartar.

A ideia de uma cadeia de consumo sustentável cresce à medida em que mais pessoas percebem o impacto de cada bem produzido, iniciando com a consciência da exploração dos recursos naturais até o final de sua vida útil e descarte.

Todo esse processo tem efeitos sobre o meio ambiente que não precisam ser negativos – muito pelo contrário, já que a partir de atitudes simples, pode-se transformar o cenário atual do consumismo, reduzindo a geração de resíduos, a poluição, o desmatamento e desacelerando fenômenos preocupantes como o aquecimento global.

O consumo solidário reune muitos benefícios, inclindo a manutenção da vida na Terra. Conceitualmente falando, descreve o conjunto de ações, princípios e reflexões que culminam em uma forma consciente de adquirir, utilizar, reutilizar, reciclar e descartar produtos. Esse ciclo só é possível ao entender como as atitudes de cada indivíduo na sociedade impactam o meio ambiente, sendo capazes de destruí-lo e comprometer a vida das próximas gerações, cabendo a cada um realizar escolhas que tenham efeitos mais positivos ou que reduzam os negativos spbre a natureza.

 

Por definição, o consumo sustentável engloba práticas de 1. Consumo Consciente; 2. Consumo Responsável e 3. Consumo Verde, sendo ambos possíveis de aplicação em todas as etapas da cadeia produtiva.

De acordo com o Ministério do Meio ambiente - MMA e o Instituto Akatu, o consumo sustentável implica na escolha de produtos que podem ser questionadas conforme a figura abaixo:

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Fonte: Instituto Akatu

Essa ideia se tornou popular, especialmente após os debates da Rio 92 ou Eco 92, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável ocorrida no Rio de Janeiro, Brasil em 1992 e que na ocasião, formulou a Agenda 21, na qual afirmava que “as principais causas da deterioração ininterrupta do meio ambiente mundial são os padrões insustentáveis de consumo e produção, especialmente nos países industrializados. Motivo de séria preocupação, tais padrões de consumo e produção provocam o agravamento da pobreza e dos desequilíbrio.”  Atualmente, os objetivos do Desenvolvimento Sustentável são 17 e  encontram-se descritos com metas a serem atingidas no documento denominado Agenda 2030.

 

Embora o consumo seja um dos principais mecanismos para o impulsionamento da economia das nações, é vital levar em conta seus impactos sobre a natureza, adequando-os para minimizar a deterioração do sistema das áreas social, ambiental e econômica, sendo evidente a necessidade de conciliação  para promover um desenvolvimento sustentável e contínuo.

O Consumo Verde tem se tornado tema de bastante aplicação na atualidade, já que é aquele que considera os efeitos sobre o ambiente na hora da compra.Obviamente, outros fatores fazem parte da decisão de compra do consumidor, como o preço, a utilidade, a qualidade e a comodidade, porém, todos os envolvidos na cadeia de consumo devem estar comprometidos com processos de fabricação que preservem os ecossistemas.

Na prática, esse conceito se traduz na substituição de bens de consumo tradicionais por itens verdes, os quais são produzidos utilizando técnicas menos prejudiciais ao planeta, como móveis construídos com madeira de reflorestamento ou remodelados com madeira que seria descartada, biocombustíveis de óleo já utilzado, bolsas e roupas feitas com material reciclável, como camisetas de PET, entre outros. 

 

O consumo verde constitui um avanço importante em direção à sustentabilidade, mas não o suficiente pois deixa a igualdade no acesso aos recursos naturais de lado, sendo muito influenciado pelo poder aquisitivo da população e ainda uma mudança consciente nos padrões atuais de consumo exige que as compras sejam repensadas e não simplesmente substituídas por produtos verdes. Em outras palavras, é necessário mudar os hábitos, refletindo antes de finalizar uma compra, trocar um eletrodoméstico ou aumentar a coleção de sapatos, pois, caso contrário, o impacto será insuficiente para combater os índices de poluição, o efeito estufa, o aquecimento global e outras consequências “consumo por consumir”.

Uma dinâmica que propõe o uso de matérias primas até que se esgote ou até quando não houver mais possibilidade de reutilizar, transformar ou reciclar esse material é chamada Economia Circular. A lógica circular surgiu em oposição ao modelo de fabricação e consumo que subaproveita os insumos ao restringir sua vida útil a 5 etapas: a extração, o processamento, a transformação o consumo e o descarte.

O sistema linear está na raiz do desperdício de recursos, degradação de ecossistemas, na poluição do ar, do solo, do lençol freático, dos rios e mares, pois não parte de um consumo consciente. Nessa lógica perversa o meio ambiente existe apenas para servir aos desejos do ser humano. Na visão da economia circular, antes de ser descartado, o item pode ser reutilizado para uma mesma finalidade, reaproveitado para uma finalidade diferente ou reciclado  em sua composição. Essa dinâmica é essencial para o consumo sustentável, pois diminui a velocidade da geração de resíduos, mantendo-os por mais tempo em uso enquanto forem úteis, não precisando serem descartados, o que evita que poluentes no meio ambiente e ainda reduz a necessidade de produção de novos materiais, que requerem então, a extração de mais e mais recursos da natureza.

 

O consumo sustentável é importante ferramenta de conscientização para que toda a cadeia produtiva e de consumo faça a sua parte em prol da preservação ambiental, já que está embasada na premissa de que cada ação conta, permitindo o desenvolvimento sustentável, sendo preciso que todos os partícipes façam sua partem em vez de deixar a luta contra o consumismo irresponsável nas mãos de governos e outras autoridades, unindo por um esforço conjunto e necessário.

Reconhecido pela abundância de recursos naturais, o Brasil também enfrenta os efeitos adversos do consumo desenfreado, pois em janeiro de 2020, a ONG Amazon publicou um relatório alertando sobre o aumento de 74% do desmatamento da Amazônia Legal naquele mês em comparação ao ano anterior, sendo 188 km2 de áreas desmatadas, agregando ao crescimento da degradação ambiental de 11 para 163 km² no período de 1 ano.

Outra pesquisa importante divulgada em 2019 foi a da consultoria Euromonitor, que revelou que só 20% dos brasileiros se consideram ecofriendly ou seja mostram a preocupação que o meio ambiente precisa na cadeia de produção. Segundo o levantamento do Instituto Akatu, o preço das mercadorias verdes ainda é uma das maiores barreiras para este tipo de consumo consciente em território nacionale isso significa que o consumidor precisa ser educado a respeito das vantagens desses itens, já que possuem maior durabilidade e podem ser reutilizados ou reciclados facilmente através do consumo sustentável, além do consumidor ter acesso a benefícios coletivos, pois estará colaborando para a saúde do planeta, por consequência para a sua própria e para a sustentabilidade de comunidades envolvidas.

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Fonte: Revista Torta, Autor: Farinha

 

Dentre os benefícios da cadeia de consumo verde citam-se algumas delas:

  • alimentos, bebidas, produtos de limpeza e cosméticos com pouca ou nenhuma substância prejudicial à saúde como agrotóxicos;
  • maior oferta de recursos naturais devido à redução na poluição do solo, lençol freático e  oceanos;
  • ciclo de vida mais longo para produtos diminuindo a necessidade de substituição e gastos com novos itens;
  • pressão sobre as empresas para que incluam a preocupação com o meio ambiente entre as prioridades e seus processos de produção e descarte;
  • diminuição na quantidade de resíduos lançados à natureza;
  • incentivo à economia circular com destaque para  reuso,manutenção e reciclagem de insumos;
  • favorecimento de trocas de produto combustíveis fósseis por biocombustíveis e energias renováveis;
  • redução das emissões de poluentes e gases do efeito estufa que provocam o aquecimento global;
  • preservação de espécies da flora e fauna, com desestímulo às queimadas e destruição de habitat natural e ecossistemas.  
  • na agricultura, a utilização de tecnologias que permitam a reutilização da água, assim como equipamentos de rede de irrigação que poupem o recurso;
  • água de reuso em condomínios comerciais e residenciais, principalmente sendo utilizada para limpeza de áreas externas;
  • implantar e maximizar os sistemas eficientes de saneamento básico;
  • reduzir o uso de pesticidas no agronegócio;
  • instalar sistemas e ou pontos de coleta seletiva combinados à campanhas e conteúdos para educar a população sobre a separação de material reciclável;
  • dar preferência a produtos orgânicos, que não empreguem ou que empreguem o mínimo de agrotóxicos, presentes nos supermercados, controlando a sua origem e priorizando a produção local;
  • incentivar cooperativas e associações de produtores na cidade, a fim de unirem-se para abastecer uma área populacional, de forma organizada, garantindo uma agricultura sustentável e alimentação saudável;
  • Incentivar a técnica de compostagem para transformar a resíduos orgânicos não-processados em “compostos do bem” para adubar e promover hortas orgânicas, sejam coletivas ou residenciais.

Para colocar em prática as técnicas de consumo consciente, é preciso uma reflexão e esforço para romper com hábitos de adquirir itens supérfluos e sem utilidade, medida que não será fácil, mas é necessária e urgente. 

Tudo começa com pequenas atitudes, que aos poucos vai acostumando a sua rotina no fato de repensar a forma de como se consome e utiliza seus produtos. Antes de comprar algo novo, pode se perguntar a si mesmo se há a real necessidade daquele item e se a resposta for “não”, vale a pena desistir da compra.

 

Dar uma repaginada em um móvel ou peça por meio de artesanato, evitar abrir a geladeira muitas vezes ao dia, preferir eletrodomésticos com selo que gastem menos energia, fazer a manutenção de móveis e eletrodomésticos a fim de estender a sua vida útil, fechar a torneira enquanto ensaboa a louça ou escova os dentes, fechar o chuveiro enquanto em ensaboa o corpo ou lava os cabelos, apagar a luz e eletroeletrôicos ao sair de um cômodo, imprimir apenas o que for necessário, usar frente e verso de folhas de papel, separar lixo, conduzir materiais para a reciclagem, descartar resíduos corretamente, escolher embalagens plausíveis de reciclagem ou biodegradáveis, levar ecobags para fazer as compras, reutilizar água da máquina para limpar a casa e áreas externas, reduzir o uso do carro preferindo meios de transporte como a bicicleta, skate e patinetes. Todas essas ações são atitudes de pessoas que querem iniciar a praticar o Consumo Consciente.

Nada disso será possível para o consumo sustentável se antes os produtos que passam pelas etapas de extração e processamento, nas quais pode haver um grande desperdício de recursos e práticas destrutivas do meio ambiente não forem repensados pelas empresas, as quais necessitam dar mais atenção, optando por processos menos prejudiciais, que eliminem os desperdícios e aumentem a eficiência, além de investir em fontes de energias sustentáveis, implementação de reflorestamento e rotação de culturas, pelo não esgotamento do solo e água.

O design dos produtos é outro fator que contribui para a durabilidade e impacto ambiental, sendo fundamental zelar por itens de qualidade que possam ser reformados, reutilizados e reciclados durante a cadeia produtiva. Organizações com responsabilidade socioambiental costumam ainda auxiliar no descarte correto de produtos ao final de sua vida útil, recolhendo-os junto aos consumidores ou através de intermediários e ainda auxiliam a comunidade circunvizinha a organizarem-se para o melhoramento das estruturas públicas.

O consumo sustentável é uma pauta crucial para toda a humanidade e setores produtivos, uma vez que auxilia na preservação de recursos naturais e na qualidade de vida das pessoas. Assim cada vez mais indivíduos e grupos de organizações vêm adotando atividades sustentáveis, reduzindo o ritmo do consumo para diminuir seu impacto prejudicial nos ecossistemas. 

Lembre-se: o Consumismo é um desperdício em excessos, mas o Consumo Sustentável, Responsável e Verde favorece a Vida!

 

Fontes:

- Instituto Akatu. Disponível em https://akatu.org.br/. Acesso em 03/02/2022.

- Ministério do Meio Ambiente. Disponível em https://www.gov.br/mma/pt-br. Acesso em 03/02/2022.

- ONU Brasil. Disponível em https://brasil.un.org/pt-br/sdgs. Acesso em 03/02/2022.

 

 

 

 

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