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Quinta-feira, 18 de Julho de 2024

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Vitor Mateus Teixeira, ou popularmente Teixeirinha, e os 60 anos da gravação do primeiro disco

Ele teve coragem e audácia de gravar e valorizar a cultura gaúcha

Mário Terres - Tradicionalismo
Por Mário Terres -...
Vitor Mateus Teixeira, ou popularmente Teixeirinha, e os 60 anos da gravação do primeiro disco
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Vitor Mateus Teixeira, o Teixeirinha nasceu na cidade de Rolante, distrito de Mascaradas, Rio Grande do Sul, em 03 de março de 1927. Filho de Saturno Teixeira e Ledurina Mateus Teixeira, teve um irmão e duas irmãs.

Aos seis anos de idade perdeu o pai e aos nove anos a mãe, então, órfão foi morar com parentes, mas, estes como não tinham condições de sustentá-lo, para sobreviver saiu pelo mundo a fora fazendo de tudo um pouco, desde carregar malas em portas de pensões, entregar viandas, até vender jornais e doces como ambulante. Com dezesseis anos de idade fez sua certidão de nascimento. Aos dezoito anos se alistou no Exército, mas não chegou a servir e, nesta ocasião foi trabalhar no DAER (Departamento de Estradas de Rodagem/RS), como operador de máquinas durante seis anos.

Dali saiu para tentar a carreira artística cantando nas rádios das cidades do interior, como Lajeado, Estrela, Rio Pardo, Santa Cruz do Sul e, nesta última conheceu sua esposa Zoraida Lima Teixeira, com quem casou em 1957. Inicialmente foram morar em Soledade e, em seguida se mudaram para Passo Fundo, onde compraram um “Tiro ao Alvo”, uma espécie de barraca para sorteio de brindes, que era cuidado por ele e sua esposa. À noite Teixeirinha se apresentava na Rádio Municipal de Passo Fundo, cantando e fazendo seus versos de improviso. Vitor e Zoraida nunca se separaram e desta união nasceram às filhas Nancy Margareth, Gessi Elizabeth, Fátima Lisete e Márcia Bernadeth, com as quais o artista dividiu toda sua vida pessoal e artística.

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Em 1959 foi convidado a gravar em São Paulo seu primeiro 78RPM; com as músicas: “Xote Soledade” e “Briga no Batizado”. Segundo o depoimento do diretor artístico da época e, também advogado da Gravadora Chantecler, Dr. Biaggio Baccarin, o início do sucesso de Teixeirinha é inesquecível:

“A sigla PTJ, no 78 RPM, abrigava três nomes: Palmeira, Teddy e Jairo, então diretores da Chantecler e fundadores do selo sertanejo. Como se constata, “Coração de Luto” ocupou o lado “B” do quarto disco gravado por Teixeirinha, o qual foi lançado sem qualquer preocupação de sucesso, no entanto aconteceu espontaneamente após seis meses de seu lançamento. As primeiras reações vieram de Sorocaba/SP e em pouco tempo já era sucesso nas demais cidades da região. Foi nessa ocasião que a gravadora Chantecler resolveu trazer o cantor para São Paulo a fim de trabalhar o disco, cujo trabalho teve início com um show na cidade de Sorocaba/SP e, posteriormente, nas demais cidades do Estado de São Paulo, até o triângulo mineiro.

O sucesso aconteceu em todo o Brasil, com venda superior a um milhão de cópias no ano de 1961. Um acontecimento inédito na história da música popular brasileira. Para se ter ideia deste fato, o disco Coração de Luto chegou a ser vendido no câmbio negro em Belém do Pará, havia fila para comprá-lo. A gravadora não tinha condições de atender aos pedidos e era obrigada a distribuir cotas para cada loja. “O fato de Belém do Pará foi registrado pelo saudoso Edgard Pina, então agente da Chantecler, naquela capital”.

Mas Teixeirinha era inquieto e apaixonado pela cultura de sua gente, ao ganhar o tão sonhado sucesso, buscou na música mais difundida no país, “Coração de Luto”, que vendeu mais de vinte e cinco milhões de cópias, a inspiração para criar um argumento para o filme, que acabou sendo produzido por Derly Martinez. Em 1970 criou sua própria produtora “Teixeirinha Produções Artísticas LTDA” pela qual produziu e distribui outros dez filmes: “Ela Tornou-se Freira” (1972); “Teixeirinha, 7 Provas”(1973); “Pobre João” (1974); “A Quadrilha do Perna Dura” (1975); “Carmem a Cigana (1976); “O Gaúcho de Passo Fundo”(1978) ; “Meu Pobre Coração de Luto”(1978); Na trilha da Justiça (1978); “Tropeiro Velho” (1980); “A Filha de Iemanjá” (1981).

Tinha ainda programas de rádio, recebeu nove discos de ouro, viajou ao exterior e durante vinte e dois anos teve como parceira a acordeonista e cantora Mary Terezinha, gravou 49 LP’s inéditos, somando mais de 70 LP’s, incluindo regravações, que atualmente estão sendo reeditados em disco laser; gravou mais de 758 músicas de sua autoria, deixando um acervo superior a 1.200 composições, incluindo algumas inéditas.

Nesse 2019 comemoramos 60 anos da gravação do primeiro disco de Teixeirinha. E qual a importância disso? Entre o americanismo que tentava engolir o mundo na década de 50, no sul não era diferente, entre outros tantos artistas, Teixeirinha teve a coragem e audácia de gravar e valorizar a cultura gaúcha, um cerne de curunilha que fincou raízes profundas e sedimentou as bases do nosso cancioneiro guasca. São sessenta anos do início de uma linda história e que as futuras gerações não esqueçam suas origens, pois são das raízes que se extraem as seivas que nos levam ao crescimento. Um povo que olha o futuro, respeitando e valorizando o passado, tende a ser valoroso e vencedor. Salve Teixeirinha pelos sessenta nos do primeiro disco, pelo sucesso de carreira e pelo legado que nos deixaste.



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