O Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicado em 6 de junho, aponta a continuidade do aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, com destaque para os vírus influenza A e Vírus Sincicial Respiratório (VSR). A análise considera dados da Semana Epidemiológica 22, que corresponde ao período de 25 a 31 de maio de 2025.
Entre os grupos etários com maior incidência de SRAG, estão crianças e idosos. Na população acima de 65 anos, observa-se maior frequência de hospitalizações associadas à influenza A. Em crianças, os principais agentes detectados são rinovírus, VSR e também a influenza A.

Segundo a Fiocruz, 25 das 27 unidades federativas apresentam níveis de incidência classificados entre alerta e alto risco, com tendência de crescimento em longo prazo. Entre esses estados está o Rio Grande do Sul, além de Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins.
O levantamento também indica que 15 capitais apresentam tendência de crescimento da atividade de SRAG em níveis de alerta ou risco elevado, incluindo Porto Alegre. As demais são Aracaju, Belo Horizonte, Boa Vista, Cuiabá, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo.
A análise da Fiocruz destaca que a circulação viral em crianças de até quatro anos está sendo impulsionada principalmente pelo VSR. Entretanto, a influenza A e o rinovírus também têm contribuído para o aumento dos casos nessa faixa etária, além de afetarem adolescentes e jovens. Entre idosos e adultos a partir de 15 anos, a influenza A predomina como agente responsável por hospitalizações por SRAG.
No panorama nacional, o InfoGripe identifica crescimento contínuo nos casos de SRAG causados por influenza A em jovens, adultos e idosos na maioria dos estados das regiões Centro-Sul, além de ocorrências em estados do Norte e do Nordeste. Por outro lado, há sinal de queda em Mato Grosso do Sul e estabilidade em estados como Ceará, Pará e Tocantins, embora os índices ainda permaneçam elevados.

Desde o início de 2025, foram notificados 83.928 casos de SRAG no Brasil. Desse total, 49,4% tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 35,2% apresentaram resultado negativo e 8,7% ainda aguardam análise. Entre os positivos, os principais vírus identificados foram: VSR (45%), influenza A (22,7%), rinovírus (22,8%), Sars-CoV-2 (11,1%) e influenza B (1,2%).
Nas quatro semanas epidemiológicas mais recentes, a distribuição dos casos positivos ficou da seguinte forma: 47,3% VSR, 38,9% influenza A, 15,9% rinovírus, 1,7% Sars-CoV-2 e 0,9% influenza B. Entre os óbitos registrados no mesmo período e com detecção viral confirmada, 73,4% estavam relacionados à influenza A, seguidos por 12,8% VSR, 10,4% rinovírus, 5,1% Sars-CoV-2 e 1,3% influenza B.
Diante dos dados, autoridades de saúde reforçam a recomendação para a vacinação contra a influenza, especialmente entre grupos mais vulneráveis como crianças, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades.