O relato do pai Cássio expõe uma realidade que muitas famílias de crianças autistas enfrentam: a exclusão escolar. Ele e a esposa têm buscado matricular a filha, Maria Luiza, uma criança autista não verbal, em diferentes escolas de Belo Horizonte. A resposta, quase sempre, é negativa.
Maria conta com o apoio de uma profissional especializada que a acompanha desde os dois anos de idade, alguém de sua total confiança e fundamental para o seu desenvolvimento dentro da sala de aula. Apesar disso, as escolas rejeitam a matrícula sob o argumento de não aceitarem a presença dessa acompanhante.

Em várias ocasiões, Cássio e a esposa participaram de reuniões, explicaram a importância da profissional e mostraram disposição em colaborar. Mesmo assim, ao final das conversas, a resposta das instituições foi de recusa. Apenas uma escola aceitou a matrícula, o que garantiu o direito de Maria ao estudo — direito que deveria ser respeitado em qualquer instituição.
O caso é ainda mais doloroso porque muitas dessas escolas se apresentam como “inclusivas”. Mas, na prática, demonstram não cumprir o que divulgam. “Ver sua filha ser rejeitada simplesmente por ser autista corta o coração. Inclusão não é só palavra bonita em propaganda, é atitude”, desabafa o pai.
A mãe, Janara, reforça a indignação: quantas famílias não vivem o mesmo desespero? Quantas crianças não são privadas do direito à educação por conta de barreiras criadas pelas próprias instituições?

É importante lembrar que, por lei, toda criança autista tem direito a acompanhante especializado. A recusa de matrícula ou a negativa em permitir esse acompanhamento configura descumprimento legal.
O desabafo, compartilhado nas redes sociais por Wallace de Lira, deu visibilidade à situação e mobilizou apoio. “Vocês são gigantes”, escreveu, em mensagem de solidariedade ao casal.