A partir desta terça-feira (1º), o Ministério da Saúde inicia a aplicação da vacina meningocócica ACWY como dose de reforço para crianças de 12 meses de idade. A medida altera o esquema atual de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS), que anteriormente utilizava a vacina meningocócica C nesta etapa. A mudança tem como objetivo ampliar a cobertura contra quatro sorogrupos da bactéria Neisseria meningitidis (A, C, W e Y), responsáveis por formas graves de meningite bacteriana.

Até o momento, o esquema vacinal infantil incluía duas doses da vacina meningocócica C aos três e cinco meses, seguidas de uma dose de reforço aos 12 meses. Com a atualização, o reforço nesta faixa etária passará a ser feito com a vacina ACWY. A nova orientação consta na Nota Técnica nº 77/2025, que define os esquemas vacinais atualizados e orientações de aplicação para as equipes de saúde.
A vacina ACWY já era disponibilizada no SUS para adolescentes de 11 a 14 anos. Agora, com a ampliação para o público infantil, apenas as crianças que ainda não receberam o reforço aos 12 meses deverão receber a dose da ACWY. Aqueles que já completaram o esquema com a dose da meningocócica C não precisam ser revacinados neste momento.

Em 2025, até o fechamento dos dados mais recentes, o Brasil registrou 4.406 casos confirmados de meningite. Dentre eles, 1.731 foram do tipo bacteriano, 1.584 viral e 1.091 atribuídos a outras causas ou tipos não identificados. Além da vacina ACWY, outras vacinas disponíveis no SUS, como BCG, Penta e Pneumocócicas (10, 13 e 23-valente), também oferecem proteção contra formas da doença.
A iniciativa integra as ações previstas nas Diretrizes para o Enfrentamento das Meningites até 2030, documento lançado em 2024 com participação de entidades civis e organismos nacionais e internacionais, em consonância com a estratégia global coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A meningite é caracterizada pela inflamação das meninges — membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal — e pode ter origem infecciosa (vírus, bactérias, fungos ou parasitas) ou não infecciosa (como em casos de câncer, lúpus, efeitos colaterais de medicamentos ou traumas neurológicos). As ocorrências bacterianas são mais comuns nos meses frios, enquanto as virais têm maior incidência em períodos de clima quente.