Porto Alegre figura como a segunda capital brasileira com maior proporção de estudantes de 13 a 17 anos que relataram uso recente de maconha, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o levantamento, 5,5% dos adolescentes entrevistados na capital gaúcha afirmaram ter consumido a substância nos 30 dias anteriores à pesquisa. O índice é inferior apenas ao de Florianópolis, com 7,5%, e superior ao registrado em cidades como Belo Horizonte e Cuiabá, ambas com 5,1%, e São Paulo, com 5%. Entre os menores percentuais estão Belém e Macapá, com 2,1%.
Apesar da posição de algumas capitais, os dados indicam redução no consumo recente de drogas ilícitas entre estudantes no país. O percentual de adolescentes que relataram uso de alguma substância nos 30 dias anteriores caiu de 5,1% em 2019 para 3,1% em 2024, uma diminuição de 39,2%. No caso da maconha, a taxa nacional passou de 5,3% para 3,3% no mesmo período. A queda foi observada principalmente nas regiões Sudeste e Sul, enquanto nas regiões Norte e Nordeste não houve variação considerada significativa.
O levantamento também mostra diferenças no perfil de consumo. Entre os meninos, a prevalência de uso recente de maconha foi de 3,7%, enquanto entre as meninas foi de 3%. Estudantes da rede pública registraram taxa de 3,6%, frente a 1,9% na rede privada. Por faixa etária, o consumo foi de 5,1% entre jovens de 16 e 17 anos e de 2,3% entre aqueles de 13 a 15 anos.
Outro indicador analisado é a experimentação de drogas ilícitas ao longo da vida. Após crescimento entre 2009 e 2019, o percentual caiu de 13% para 8,3% em 2024, uma redução de 33,5%. Ainda assim, o Rio Grande do Sul aparece entre as unidades da federação com maiores índices, com 11,4%, atrás do Distrito Federal, que registra 12,2%. Entre os menores percentuais estão Bahia (4,3%), Piauí (4,7%), Maranhão e Sergipe (5,5%).
A pesquisa também aponta redução na iniciação precoce ao consumo de drogas. O percentual de adolescentes que experimentaram substâncias com 13 anos ou menos passou de 4,3% em 2019 para 2,7% em 2024. O início segue mais frequente entre meninos e alunos da rede pública.
No consumo de produtos derivados do tabaco, os dados indicam mudança de padrão. A experimentação de cigarros eletrônicos aumentou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024. O uso recente desses dispositivos passou de 8,6% para 26,3% no período. Os maiores percentuais foram observados nas regiões Centro-Oeste (42%) e Sul (38,3%), enquanto Norte (21,5%) e Nordeste (22,5%) registraram índices menores.
Entre os estudantes, as meninas apresentaram maior experimentação de cigarros eletrônicos, com 31,7%, frente a 27,4% entre os meninos. O uso também foi mais frequente na rede pública (30,4%) do que na privada (24,9%). Em contrapartida, houve redução no consumo de cigarros convencionais, de 22,6% para 18,5%, e de narguilé, de 26,9% para 16,4%.
Mesmo com a proibição da venda de produtos de tabaco para menores de 18 anos, parte dos adolescentes relatou acesso direto ao comércio. Entre os que fumaram, 36,4% afirmaram ter comprado cigarros em estabelecimentos, enquanto 3,1% disseram já ter tido a venda recusada por causa da idade.
A edição de 2024 da PeNSE foi realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação. O levantamento ouviu 148.736 estudantes em 4.167 escolas públicas e privadas, representando um universo estimado de mais de 12,3 milhões de jovens entre 13 e 17 anos no Brasil.
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