Um hospital de Porto Alegre foi incluído em um projeto-piloto voltado ao tratamento da obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS) com medicamentos à base de semaglutida, princípio ativo presente em canetas aplicáveis utilizadas no controle de peso. A iniciativa foi anunciada na quarta-feira (4) pelo laboratório Novo Nordisk, responsável pela produção dos fármacos Ozempic e Wegovy.
Na capital gaúcha, o programa será desenvolvido no Grupo Hospitalar Conceição (GHC). A ação também ocorrerá no Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE), no Rio de Janeiro, e em uma terceira instituição ainda a ser definida. A participação será restrita a pacientes que já recebem acompanhamento para obesidade nas unidades de saúde selecionadas.
Cada hospital participante deverá elaborar protocolos próprios para definir os critérios de inclusão no tratamento. Ainda não há data confirmada para o início das atividades. A duração prevista do estudo é de dois anos, período em que os resultados serão acompanhados pelo Ministério da Saúde. Segundo os organizadores, o programa será conduzido sem custos adicionais ao orçamento federal.
O projeto busca reunir dados sobre o uso da semaglutida no contexto da rede pública de saúde. A intenção é ampliar a base de informações sobre o tratamento da obesidade e subsidiar discussões sobre possíveis mudanças em protocolos clínicos e modelos de atendimento. A farmacêutica responsável pelo programa também pretende avaliar o impacto do tratamento na redução de complicações associadas à doença, como problemas cardíacos, necessidade de diálise e internações hospitalares.
A iniciativa integra o programa chamado Acesso Equitativo, desenvolvido em parceria com o governo da Dinamarca e inserido em um projeto global do laboratório. Além do Brasil, a proposta também está sendo implantada em sistemas públicos de saúde da Dinamarca e de países das Ilhas do Pacífico. De acordo com a empresa, o objetivo é ampliar o acesso a tratamentos voltados a populações em situação de vulnerabilidade social.
Entre as etapas previstas estão capacitação de gestores e profissionais de saúde, apoio técnico para implementação de protocolos de atendimento e acompanhamento independente dos dados coletados. Instituições acadêmicas e parceiros técnicos deverão analisar as informações geradas para garantir transparência e rigor científico.
O programa também prevê avaliação de impactos fiscais e econômicos relacionados ao cuidado de pacientes com obesidade atendidos pelo SUS. A análise inclui a verificação de possíveis mudanças nos custos do sistema de saúde a partir da adoção de novas estratégias terapêuticas.
Dados recentes do Ministério da Saúde indicam aumento nos índices relacionados ao excesso de peso no país. Segundo o relatório Vigitel 2025, cerca de 60% da população brasileira apresenta excesso de peso e 24% é classificada com obesidade. O estudo reúne informações coletadas nas capitais brasileiras sobre fatores de risco e proteção para doenças crônicas.
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