A estudante Michele Scopel, 25 anos, pensa em morar em Porto Alegre. O motivo é a falta de oportunidade para trabalhar na capital gaúcha, pois empresas descartam seu currículo por morar no outro lado do rio, em Guaíba. Essas atitudes com trabalhadores passaram a ser comuns pelo alto valor da tarifa de ônibus entre as cidades, da Expresso Rio Guaíba. No próximo sábado (1) vai ter novo reajuste: ônibus intermunicipais da Região Metropolitana terão aumento de 6,66%.
A passagem da linha Fátima, por exemplo, vai alterar de R$ 6,80 para R$ 7,25. Trabalhadores questionam que essa diferença com o preço dos ônibus da capital, de R$ 4,30 (com o retorno da cobrança de 50% na segunda viagem), prioriza os moradores locais.
Para o diretor do Sistema Nacional de Emprego (SINE) de Porto Alegre, Nelson Beron, não há informação que empresários não estão contratando por conta de localidade de moradia. Ele pensa que é certo que as empresas visam lucro, que esse fato ocorre também com moradores da Capital que mora em outros extremos, no qual precisa de dois ônibus dentro da cidade. “É visível a dificuldade dos moradores da região. Mas se eu fosse empresário pensaria no meu lado também”, relata.
O Rio Grande do Sul encerrou o primeiro trimestre de 2019 com o segundo menor índice de desemprego do Brasil, 8% de acordo com a pesquisa encomendada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Na região metropolitana a taxa de desocupação das pessoas de 14 anos ou mais de idade caiu de 10,4% para 8,9% entre os períodos. As informações são do jornal Correio do Povo.
A AGERGS explica sobre o aumento: “há um contrato de concessão com cláusula anual de reajustamento, no qual a data base para o reajuste é junho de cada ano. Para os cálculos que resultam no valor a ser reajustado, são aplicados índices setoriais, como, mão-de-obra, combustível, entre outros. Tais índices chegaram ao montante de 6,66% neste ano".
Publicada em 31/05/2019