O governo do Rio Grande do Sul mantém frentes ativas de dragagem em canais estratégicos da hidrovia Lagoa dos Patos/Lago Guaíba e do Litoral Sul, em um conjunto de obras coordenadas pela Portos RS, vinculada à Secretaria de Logística e Transportes. A operação reúne atividades emergenciais e estruturais distribuídas em 21 canais, além do acesso ao Porto do Rio Grande, com uso de recursos do Funrigs e do Programa de Reconstrução, Adaptação e Resiliência Climática.

A dragagem tem como objetivo restabelecer profundidades operacionais em áreas utilizadas para transporte de cargas. O processo possibilita a passagem de embarcações de maior porte, reduz o número de viagens e reorganiza a logística em períodos de maior instabilidade climática.
Frentes em andamento no Guaíba e no Litoral Sul
O Lote 1, referente ao Canal Itapuã, foi finalizado pela draga Ivete, recuperando a navegabilidade no trecho entre o Guaíba e a Lagoa dos Patos. No Lote 2, que abrange os canais Leitão, Pedras Brancas, Furadinho e São Gonçalo, duas das quatro áreas previstas já foram concluídas: Pedras Brancas e Leitão.
A draga Heloísa, após manutenção preventiva, foi mobilizada ao Canal Furadinho no dia 12 de outubro, operando em conjunto com a draga Ivete. No Canal São Gonçalo, a draga Lígia segue executando a retirada planejada de mais de 457 mil metros cúbicos de sedimentos, com previsão de término em dezembro de 2025.
No Lote 3, a draga Mariana, da DTA Engenharia, atua na dragagem do Canal da Feitoria, responsável pela retomada das profundidades necessárias ao transporte de fertilizantes, produtos químicos e grãos na rota Lagoa dos Patos/Guaíba.
Obras de grande porte no Porto do Rio Grande
O Lote 4 contempla a manutenção do calado do Porto do Rio Grande, executada pela draga Utrecht, da empresa Van Oord. O contrato prevê a remoção de aproximadamente 15 milhões de metros cúbicos de sedimentos e a manutenção do calado oficial de 15 metros ao longo de todo o canal de navegação, incluindo as áreas externa, interna e o terminal Porto Novo. A obra tem prazo contratual de 15 meses e investimento de R$ 432,29 milhões.
Segundo estimativas técnicas, restrições de 1,5 metro no calado podem reduzir a movimentação em até 18 mil toneladas semanais no transporte de contêineres, com perdas projetadas em US$ 20,6 bilhões, o que reforça a relevância das obras para o funcionamento do corredor logístico do Sul do país.
Próximas etapas
Os Lotes 5 e 6, que abrangem 11 canais, estão em fase de licitação, e o Lote 7, com mais quatro canais, será executado na sequência. A conclusão do plano consolidará 21 canais dragados ao longo da hidrovia, ampliando a capacidade de circulação de cargas.
O secretário estadual de Logística e Transportes, Juvir Costella, afirma que as frentes de dragagem integram o conjunto de ações para reforçar o modal hidroviário e estimular novos investimentos no setor. Já o presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, destaca que a atuação conjunta entre governo e autoridade portuária tem permitido a recuperação gradual da navegação interior e maior estabilidade nas operações.

Com o avanço das obras, o Porto do Rio Grande mantém posição de ligação entre rotas internacionais e o sistema hidroviário interno, assegurando regularidade no atendimento de embarcações de grande porte e ampliando o escoamento de cargas.
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