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Quinta-feira, 18 de Julho de 2024

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2020 foi o ano que comprovou a longevidade do Movimento Tradicionalista Gaúcho

Vamos desejar que 2021 venha de mala e cuia, trazendo consigo a esperança de dias melhores

Fernanda Campos - Tradicionalismo
Por Fernanda Campos -...
2020 foi o ano que comprovou a longevidade do Movimento Tradicionalista Gaúcho
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Meu avô materno, nas festas de fim de ano, costumava dizer algo mais ou menos assim:  “Não sei porque se comemora o ano novo, a gente não sabe como vai ser, tem é que comemorar o ano velho”. Mas verdade seja dita, quando o relógio marcou 00:00 do dia 01 de Janeiro de 2020 muitos sonhos e planos passaram em sua mente com a esperança do ano que nascia.

Mal sabíamos, meros viventes, que veríamos surgir uma pandemia mundial, que em meados de março estaríamos fechando as portas do galpão ao encerrar o ensaio, por um longo tempo, sem ao menos darmos os abraços que hoje gostaríamos de ter dado.

Assim, como um grande e terrível temporal, a doença chegou ao país, ao estado, à nossa Guaíba. Então, diferente de antigas épocas, não pudemos lutar, nos fechamos em nossos ranchos, sem haver benzedeira que conhecesse reza para acalmar tal tormenta. Não teve jeito, encurralados pela sobrevivência, restou apenas o mate, que agora já era solito. É possível dizer que “Preteou o olho da gateada”, sem o céu derramar uma só gota de chuva.

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Mas nem só de tristeza e quietude se fez o ano, era preciso acordar, era preciso fazer algo diante do inesperado e assim, de grão em grão o MTG e as entidades tradicionalistas, por meio de seus membros recriam a tradição, passando então para os meios virtuais.

Primeiro acanhadamente, com lives musicais, depois coreografia no Desafio farroupilha, e não é que até baile virtual teve. Teve também muita solidariedade, com o projeto da Gestão Estadual de Prendas, com o título “Ciranda do Agasalho”, e a Semana Farroupilha? Ora mais, em Setembro a Tradição estava viva, como já se esperava, afinal Gaúcho que é Gaúcho não se entrega por qualquer coisa.

E quando possível, após muito estudo e análise de protocolos e decretos, retornaram os eventos ao ar livre, estava marcado a volta dos torneios de tiro de laço, das gineteadas e campereadas. Para o pessoal da artística, surpreendente mesmo, foi ver os maiores campeões do ENART juntos para superar a pandemia. O CTG Rancho da Saudade, da cidade de Cachoeirinha que foi seis vezes campeão e o CTG Aldeia dos Anjos localizado na cidade de Gravataí, que levantou o caneco 11 vezes, uniram-se em uma apresentação no modelo Drive In, ou seja, 2020 não teve ENART, mas eles garantiram o Show.

E nessa breve e “encurtada” retrospectiva tradicionalista, percebemos que se havia alguma antiga preocupação sobre o fim do movimento, restou comprovado, tento por tento, que o movimento ainda tem muita vida pela frente. Particularmente, 2020 mostrou o quanto meu avô era sábio, todas as vezes que falava aquilo nas festas, modernamente chamadas de Réveillon, porém é chegado o fim da espera pelo fim deste ano. Afinal, como diz os versos da Payada do Ano Novo, do saudoso Jayme Caetano Braun:  “O Ano Novo - parido, anda aí - fazendo as suas”. 

Diante disso, o que devemos fazer? Vamos sofrer o luto do que houve de triste e saudosamente agradecer por tudo que entre espinhos, floresceu. Agradecer pela saúde dos nossos ou pelos momentos bons que tivemos com aqueles que partiram deixando saudades e por fim, quando o relógio marcar 00:00, vamos desejar que 2021 venha de mala e cuia, trazendo consigo a esperança de dias melhores e que seja, de fato, um novo ano.

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