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Quinta-feira, 25 de Julho de 2024

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As mudanças sociais, novas gerações, a era digital e o tradicionalismo

Houve épocas em que alguns CTGs não aceitavam negros no salão

Mário Terres - Tradicionalismo
Por Mário Terres -...
As mudanças sociais, novas gerações, a era digital e o tradicionalismo
Pedro Molnar
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O grande ciclo de expansão produtiva no Brasil, que durou cinco décadas (1930 a 1980) promoveu enormes mudanças na sociedade brasileira como um todo. O Rio Grande do Sul não ficou a margem dessa mudança. Na década de 90 um maior acesso as ciências tecnológicas e o advento de computadores domésticos.

Enfim, não há espaço para enumerar as mudanças, nem estamos empreendendo análise de valor, mas a sociedade com todas essas informações. Também começou a mudar sua forma de pensar e agir, seus conceitos e preconceitos, valores e princípios. Temos interação entre gerações, com tanta diferença e que necessitam permear mesmos ambientes com distintos entendimentos do mundo.

Queremos trazer à tona, para a reflexão, não as diferenças claras e simples como a mudança do LP para o mp3, nem do telefone analógico de disco para o smartphone. Mas algumas mudanças drásticas que promovem discussões acaloradas e as vezes sem sentido, gerando constrangimentos, exclusão e até mesmo agressões.

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As gerações mais novas não têm tanto apelo do machismo. Machismo esse que está formatado no cerne do movimento tradicionalista, pela concepção da própria razão social em que foi construído. Basta recordar e reconstruir mentalmente as características da sociedade da década de 40 e 50, onde nasceu todo o movimento e entenderemos o porquê do machismo. Porque a mulher era colocada em segundo plano. Afinal, queriam retratar as lides campeiras, o interiorano, o homem rural, campomar do setor primário, lutando e labutando por ele.

As gerações do agora tem tanta diferença que ficamos atônitos tentando questionar essas diferenças, por vezes com indiferença. O mais difícil mesmo é fazer o exercício interno de que as gerações mudaram a sociedade. Os piás de hoje não são nem sombra do que foram os de ontem. Melhor? Pior? Bom? Ruim? São mais desaforados? São mais desapegados? Buscam mais os seus direitos? Independente das respostas, nada muda o que já está em vigor: a liberdade de expressão.

Nesse caminho, quanto o movimento tradicionalista se preparou para a mudança? Quem dentro do movimento pensou nas mudanças de geração e nas suas cargas de alterações sociais? Não sei a resposta, mas vemos cada vez mais que as ações de inclusão são movimentos unitários, restrito a alguns poucos CTGs. Nota-se ainda que ainda há uma barreira enorme quanto a distinção de gênero, que o mundo digital rouba das entidades os adolescentes e crianças que podem ser o futuro de nosso movimento.

Temas complexos como o esvaziamento do quadro social, leva quase ao fechamento das entidades. Sem sócio não vem as mensalidades, as contas de energia elétrica e água não querem saber e chegam todos os meses nos CTGs.

Já houve épocas em que alguns CTGs não aceitavam negros no salão. Eu mesmo já fui em um baile onde tinha um cercado no meio do salão. Os músicos tocando, o cantador abrindo o peito de toda a goela e de um lado da cerca somente brancos, do outro lado somente negros e dançavam lado a lado, tendo a tosca impressão que uma cerquinha de madeira separavam brancos e negros de convívio. Ainda bem que não ouço mais relatos de algo tão asqueroso, se bem que os seres humanos se superam dia a dia em suas tolices.

Um tema muito polêmico é a questão da relação de gênero, ainda há tanto preconceito mas pouca discussão sobre como sobrepujar esse aspecto. Penso que CTG em sua função social, caracteriza-se como um espaço democrático e de receptividade, sem distinção de cor, credo e gênero. Portanto CTG é lugar de todos aqueles que, independente da condição, se dispõem a preservar a tradição gaúcha.

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É preciso desmistificar a ideia de diferença. Não somos diferentes em nada na visão do Criador, há que fazer valer o código de ética, o código de princípios e a tese do Barbosa Lessa. Há muito mais os que pesam no humanismo em acolher do que os que escolhem a perversidade de excluir. Não é a escolha do gênero, do parceiro, da vida que define uma pessoa, mas ainda continua sendo o caráter e os valores. Como tratar o assunto? Discutindo e buscando viabilizar o acesso, pois o tradicionalismo carece de adeptos, a tradição deve ser preservada e conservada, mas o tradicionalismo, sem perder os valores e princípios deve pensar em seu futuro.



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