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Cidade poética: o violão no píer de Guaíba é o cenário para a poesia de Vladi Mattos

"Cidade poética" é o espaço semanal do GO que traz fotografias de Maris Strege sob o olhar poético de escritores locais

Maris Strege - Cidade Poética
Por Maris Strege - Cidade Poética
Cidade poética: o violão no píer de Guaíba é o cenário para a poesia de Vladi Mattos
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Milonga Triste

Milonga triste relato
Das dores e abandono
Fez do meu peito teu trono
E governas soberana
Com as garras de uma tirana
Empunhando a inspiração
Te veste como canção
E engana o peão distraído
Que só te entende em sentido
Quando rasga o coração

Milonga que faz sentimento
Em cada verso que canto
E cada acorde é o pranto
De uma guitarra ponteada
Bordão e prima afinada
Em cada nota sofrida
Retrata a dor mais sentida
De LOS GÁUCHOS sonhadores
Recuerdos de mis amores
"Milonga dores da vida"

Da madrugada pra o dia
Na hora do desatino
Quando as marcas do destino
Me fazem mais sofredor
É a lembrança de um amor
Que me habita o pensar
Só tu, que pode curar
Essa dor que me agarra
Bordoneio na guitarra
"Milonga do meu penar"

É sempre a lembrança dela
Que me acompanha no mate
As vezes é o arremate
Que me faltava no poema
Outras vezes ela é o tema
Pra compor a melodia
Em outras só a tirania
Que dilacera meu peito
Então, canto deste jeito
"Milonga pra ti guria"

Num pito de fumo bueno
Quando afogo a solidão
E busco a inspiração
Para compor minhas penas
Os tons e notas serenas
Que arranco deste pinho
Já não me fazem sozinho
São meus parceiros de calma
E tu me preenche a alma
"Milonga do meu carinho"

Às vezes quando me perco
Num trago largo de canha
Sinto que tu me acompanha
E embriagados de ausências
Juntamos reminiscências
De um tempo que não existe
Uma lembrança que insiste
Em refazer trajetória
Pra te trazer em memória
"Milonga Do Homem triste"

A alegria e a tristeza
São duas partes de mim
Por isso é que canto assim
Tristonho e abarbarado
Ou alegre e requintado
Conforme a alma pedir
Sem nunca deixar de ouvir
O que manda o coração
Pra traduzir em canção
"Milonga Do Meu sentir"

E quando tu, milonguita
Me faz na lida um costado
Num assobio compassado
Te levo pra onde eu for
Sou ginete e pealador
Sou peão de estância e domero
Tenho o jeito cabortero
Dos pingos que encilhei
E para eles cantei
"Milonga Picaço Oveiro"

Um pealo na mangueira
Gado na ponta do laço
Força na argola de aço
Sustento no tirador
Gritos e palmas, rumor
Tinir de guampas e espora
Gauchadas de outrora
Que hoje a marca assinala
Ressurgem na tua fala
"Milonga Porteira a fora"

No lombo da inspiração
Já cantei os meus pealos
Cantei todos meus cavalos
As minhas penas e dores
Cantei para os meus amores
Em ti poesia contida
Palavra e rima sentida
Cantei o mundo que é meu
E destes versos nasceu
"Milonga da minha vida"

Poema de Vladi Mattos

 

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