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Sexta-feira, 19 de Julho de 2024

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Dia do Folclore: a diferença entre um grupo de danças tradicionalistas e um grupo de danças folclóricas

Convidei a dançarina e graduanda da Educação Física Dariana Borba para uma conversa

Fernanda Campos - Tradicionalismo
Por Fernanda Campos -...
Dia do Folclore: a diferença entre um grupo de danças tradicionalistas e um grupo de danças folclóricas
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O mundo tradicionalista está tão ativo em meio a pandemia, que prazerosamente está difícil acompanhá-lo. Assim, na semana passada falamos da querida Reculuta da Canção Crioula, mas não era possível deixarmos passar em branco o dia 22 de agosto. Isso porque nesta data é comemorado o Dia Internacional do Folclore, no Brasil é regulado pelo Decreto n° 56.747 de 1965.

Considerando que neste espaço tratamos sobre tradição e folclore, vale ressaltar a diferença entre estes termo, logo, tradição é a prática de fatos históricos a fim de legitimá-la demonstrando respeito, esta ocorre por uma transmissão cultural, já o folclore é um conjunto de lendas, mitos, costumes, todo conhecimento de um povo que é característico de sua cultura e região.

O Folclore surge em 1846, pelos estudos de William John Thoms, quando utilizou a junção dos termos “folk” que significa povo e “lore” que é conhecimento, pela primeira vez. Sendo inicialmente utilizado para definir o costume de um povo e atualmente é considerado como a ciência do povo, conforme descreve Manoelito Carlos Savaris. Mas na prática, qual diferença entre tradição e folclore?

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A fim de exemplificar as semelhanças e diferenças destes, utilizaremos a arte da dança. Para tanto convidei a dançarina e graduanda da Educação Física da Ulbra Gravataí, Dariana Borba, para uma conversa, via whatsapp, sobre o tema.

Dariana iniciou no mundo tradicionalista em 2001 no CFTG Farroupilha de São Borja. Em 2009, quando mudou-se para cidade de Gravataí passou a dançar no grupo “Gurizada de Galpão” que tinha o apoio da prefeitura local e na sequência foi convidada e passou a integrar a invernada juvenil do CTG Laço da Amizade, que ficava localizado na esquina da sua residência. Ela relembra com carinho ter sido personagem principal de uma coreografia que homenageou o conhecido livro “O tempo e o Vento” de Erico Verissimo, no ENART 2014, já no elenco adulto pela categoria B.

De lá para cá, ela tem incontáveis histórias para contar. Entre elas, destaca-se a participação no grupo adulto do CTG Vaqueanos da tradição que foi bicampeão da fase regional do ENART, chegando na final dos anos 2017 e 2018, bem como as apresentações no teatro Renascença e Araújo Viana e o Festival Internacional de Nova Petrópolis. Sendo que em 2018 esta entidade foi convidada a participar do Mí Peru (Festival Internacional do Peru).

É nessa parte da história que o grupo folclórico surge, pois não tendo, o CTG, condições de participar do evento, foi idealizado o Ballet Folclórico LunaFlor, pelo instrutor e dançarino, Alex Fernandes, que era instrutor do Vaqueanos naquele período. Com apoio e participação de alguns dançarinos da invernada interessados no festival. Assim, em 2019, o sonho ganhou vida e o grupo foi além das fronteiras. Conheceram Cusco e Machupicchu e participaram do festival, dançando no Teatro Municipal da cidade de Lima, Capital do Perú.

No ano passado a dançarina, concretizou outro sonho. Integrou o grupo adulto do CTG Aldeia dos Anjos de Gravataí que é mundialmente premiado, participando de apresentações e do ENART do mesmo ano, incluindo o tão esperado domingo. Atualmente encara novos desafios fazendo parte do elenco do CTG Estância da Serra de Osório e continua no grupo Ballet Folclórico LunaFlor de Porto Alegre.

Quando questionada sobre as diferenças entre os grupos, ela destaca a liberdade criativa, pois os grupos tradicionalistas, como por exemplo os que fazem parte de um centro de tradições gaúchas, são regulados por órgãos como o MTG, portanto, seguem as regras destes, enquanto os grupos de folclore independentes não tem órgão regulador e portanto possuem uma liberdade muito maior para coreografia, figurino, dança e demais escolhas cabíveis.

Lógico que isso não torna nenhum melhor ou pior, apenas são distintos em alguns pontos. Ela encerrou sua fala destacando que “não é porque existem restrições, que os grupos de danças tradicionais não conseguem fazer coreografias, danças e figurinos com criatividade. A questão é que como não dependemos do MTG nos grupos folclóricos, podemos misturar em uma mesma apresentação músicas que evidenciem a nossa cultura gaúcha e até mesmo um samba mostrando a nossa cultura do país, como foi o caso do nosso espetáculo no MI PERU 2019.”

Em suma, nota-se que os costumes brasileiros estão presentes no folclore gaúcho, assim como a forte contribuição dos imigrantes, ou seja, tudo que tratamos no aspecto tradicionalista faz parte do folclore do nosso povo. Parafraseando o eterno Antônio Augusto Fagundes: “Há muito amor nesses estudos, amor pelo povo, que é uma forma de amarmos a nós mesmos. O Folclore é a ciência do amor, por isso eu me fiz folclorista.”

Foto: Arquivo pessoal de Dariana Borba

 

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