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Não podemos perder mais; você sabe onde a Mata Atlântica está preservada em Guaíba?

Nosso país passa por um ciclo de devastação dos biomas e desmonte das políticas públicas de proteção ao meio ambiente

Aline Stolz - Papo Ambiental
Por Aline Stolz - Papo Ambiental
Não podemos perder mais; você sabe onde a Mata Atlântica está preservada em Guaíba?
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Nosso país passa por um ciclo de devastação dos biomas e desmonte das políticas públicas de proteção ao meio ambiente. A diminuição de ampla fiscalização e o enfraquecimento de políticas regulatórias, como o Código Florestal e de áreas protegidas, são as principais estratégias para ampliar áreas que servirão para monoculturas irresponsáveis e tóxicas. 

Uma disputa de “terra e poder” com uma visão de que a natureza e seus povos são barreiras para o crescimento econômico em curto prazo, sem ao menos utilizar-se dos princípios da Sustentabilidade, perfeitamente descritos pela Organização das Nações Unidas – ONU, gera incertezas e problemas diversos.

Essa visão limitada está apoiada na negação da ciência, no ceticismo da urgência em se enfrentar as mudanças climáticas e na ignorância a respeito da centralidade da natureza para a prosperidade da Humanidade. Afinal parece que todos esquecemos que somos seres naturais, oriundos da evolução darwiniana das espécies e que precisamos desses ambientes para comer e beber água – fonte de vida.

A Mata Atlântica já perdeu cerca de 90% de sua vegetação original no Brasil. O número (assustador) leva ao pensamento: “NÃO PODEMOS PERDER MAIS!”

Esse trágico cenário nos remete à magnífica obra literária do historiador Warren Dean, que em 1995 escreveu “A ferro e fogo – a história e a devastação da Mata Atlântica Brasileira”, a qual se repete incessantemente.

O livro começa com um relato de Pedro Álvares Cabral, em 1500 até a metade do século 20 sobre os ciclos do pau-brasil, da cana-de-açúcar, do ouro e do café juntamente com o advento do desmatamento desenfreado, com a escravidão dos povos de origem africana e com a violenta ocupação de terras públicas por uma pequena parte da elite, a qual viveu em simbiose com os mandantes no poder, apontando que a destruição da Mata Atlântica foi realizada sem a menos ter a curiosidade pelo valor ecológico, patrimonial e econômico, além de a usurpar dos povos indígenas brasileiros, ignorando seu  conhecimento e cultura.

Como resultado do desmatamento a base de fogo e ferro dos machados, gerou-se uma agricultura monopólita e extensiva, com sua produção voltada à exportação, de pouca qualidade e preços mínimos.

A exaustão das terras em pouco tempo veio acompanhada de decadência, deixando um rastro de destruição e pobreza para a população nativa e mestiça, que ainda ficava com a responsabilidade de produzir alimentos de maneira precária para “os novos brasileiros” em terras exauridas e sem apoio do Estado.

Por incrível que pareça, até haviam regras ambientais impostas pela Colônia, mesmo assim, a situação fundiária dos menos favorecidos não era oficializada e novas terras eram dadas às elites, as quais seguiam derrubando o que houvesse pela frente, no mesmo modelo que acabou com a natureza da Europa e em ciclos devastadores e repetitivos.

O Brasil vem modernizando sua agricultura, dado que muitas premissas mudaram nas últimas décadas, entretanto a marca histórica de devastação da Mata Atlântica continua impregnada nas mãos de quem poderia fazer diferente – Poder Executivo, Congresso Federal e Magistrados. Infelizmente, nos últimos anos, o desmonte das políticas públicas de proteção ao Meio Ambiente acabaram por trazer novamente um período similar ao relatado a ferro e fogo por Warren Dean.

Mesmo que as informações e ordenações venham de cima para baixo, os atuais governos estaduais e municipais tem a oportunidade e a responsabilidade de deliberar uma agenda de conservação a fim de garantir os 17 objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU.

A recuperação dos 7 milhões de hectares de Mata Atlântica para cumprir o Código Florestal é um primeiro passo, junto com a proteção dos leitos de águas superficiais, o monitoramento de animais silvestres, a fiscalização de indústrias para que seus rejeitos sólidos, líquidos e gasosos sejam tratados antes de voltar ao meio ambiente, agricultura sustentável, saúde de qualidade, políticas e práticas de saneamento, energia limpa e acessível, entre outros.

Em se tratando de Guaíba, alguém se arrisca a dizer onde a nossa Mata Atlântica está preservada? Acertou quem apostou às margens do Arroio Passo Fundo, com aproximadamente 220,74 hectares, representando 0,59%, sendo cerca de 197 hectares de formação nativa e 23 hectares de vegetação de várzea, conforme mostram dos dados da ONG SOS Mata Atlântica.

Fonte: SOS Mata Atlântica disponível em https://www.aquitemmata.org.br/

Ainda falta muito o que identificar, o que proteger, o que restaurar, é um “trabalho de formiguinha”, mas a luta diária traz novas esperanças de que possamos voltar a sermos seres naturais, voltados à preservação não só da natureza, mas da vida humana inserida nela.

 

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