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Quarta-feira, 24 de Junho 2026
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O Hino Rio-Grandense é racista? Entenda a questão que causou recente polêmica no âmbito político

“Povo que não tem virtude, acaba por ser escravo”

Fernanda Campos - Tradicionalismo
Por Fernanda Campos -...
O Hino Rio-Grandense é racista? Entenda a questão que causou recente polêmica no âmbito político
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O ano começou com a manchete: Vereador negro se recusa a cantar o “hino racista” em Porto Alegre. Eu, embora em período de férias e um pouco aquém das informações, pesquisei melhor sobre o acontecido. Assim, descrevem as notícias que o vereador Matheus Gomes, do PSOL, teria se mantido sentado enquanto tocava o hino Rio-Grandense na cerimônia do dia 1º de janeiro.
 
Ocorre que essa atitude causou um desconforto a vereadora Nádia, do partido DEM, sob a posição de que tal ato foi um desrespeito a um símbolo do estado. Mas desconfortável mesmo foi ler os comentários nas postagens das reportagens sem apreço e sem respeito ao ser humano, e por que não dizer, contendo racismo em sua forma mais enraizada possível.
 
 
Talvez eu pudesse iniciar o ano com outro assunto, talvez falando sobre belezas e paisagens marcadas pela história no Rio Grande do Sul. No entanto, após a manifestação do MTG em relação ao hino, considero importante trazer a temática nesta coluna, embora por certo, não cabe aqui o tanto de informação e discussão que este tema carrega.
 
Iniciemos destacando que o MTG, ao posicionar-se em nota oficial, descreve que o hino em nada tem de discriminatório e que em situações como esta “se perde um precioso tempo de ser protagonista de uma nova história que cabe aos próprios negros e brancos escreverem”. Outro texto correndo as mídias descreve que o trecho “Povo que não tem virtude, acaba por ser escravo”, não se refere a escravidão ao povo negro, explica que na palavra “escravo” trata-se dos povos guerreiros Greco-romanos e acabaram sendo dominados pelo império, e que a palavra “virtude” diz respeito a virilidade romana (virtus romana), ou seja, que aqueles povos que não tiveram a virtus foram escravos do império romano.
 
Entendido os fatos, vamos as minhas considerações: Em primeiro lugar, destaco que o vereador Matheus é negro e historiador, a vereadora Nádia, é branca e militar, e que o hino é datado de 1966, e tudo isso, por si só já diz muito sobre a polêmica. São circunstâncias políticas e sociais que se contrapõem; em segundo, destaco que não cabe a nós, quando digo nós, estou me referindo a cidadãos brancos, apontar o que é ou deixa de ser racista, por mais que estudemos e conheçamos os fatos históricos, ou tenhamos amigos negros (como argumentado rotineiramente por alguns), não temos propriedade para afirmar o que é racismo, isto, tão somente tem o próprio negro.
 
Destaco que não há também espaço para a frase “não há negros e brancos, somos todos humanos”, sim lógico que somos, mas não cabe para afugentar o foco do fato em que o racismo existe, o que nos leva a destacar que o tradicionalismo assim como a sociedade Brasileira é uma cultura embasada no racismo, cabendo a nós tradicionalistas da nova geração mudar os fatos para a evolução social a qual também temos responsabilidade.
 
Portanto, sempre cantei o hino cegamente e fervorosamente, porém no momento que li tal manchete, deixando de lado o tradicionalismo, bem como olhei o vídeo em que ambos os vereadores em questão se manifestaram, a fim de dar espaço, dentro de minhas próprias amarras culturais, para escutar aquele que tem propriedade para falar.
 
Assim, penso que uma fagulha é suficiente para acender um incêndio, portanto, não me interessa muito a época em que o poema que utilizamos como hino foi escrito, ou a quais povos escravizados faz referência, o que me interessa é como isso recai sobre os ouvidos dos descendentes dos negros, que covardemente foram escravizados no Brasil e no mundo, bem como e especialmente como nossas crianças negras, “graças aos céus”, cada vez mais informadas e estudadas entenderão da letra citada.
 
Ressalto ainda que o tradicionalismo serve para vangloriar e manter vivo tudo de bom que nossos heróis fizeram por nós, em que a escravidão não faz parte e portanto cabe a nós enquanto atuais jovens do movimento, retratar o que couber retratação, assumir o que necessário e mudar o que possível para não contribuirmos para a perpetuação do racismo na sociedade como um todo.
 
Se necessário mude, se necessário retrate-se. 
 
O assunto veio à tona e no mínimo merece uma discussão, afinal somos tradicionalistas sim, com muito amor, mas antes de qualquer coisa, somos humanos e precisamos nos solidarizar com a dor do outro.
 
Meu apoio à luta, na pessoa do Matheus.

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