A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou a inclusão da prostatectomia radical assistida por robô no rol de procedimentos de cobertura obrigatória pelos planos de saúde. A decisão foi tomada na sexta-feira, 5, e estabelece abril de 2026 como prazo para que as operadoras se adequem à nova exigência.

O procedimento passa a ser o primeiro tratamento cirúrgico realizado com tecnologia robótica a ter cobertura obrigatória na saúde suplementar brasileira. A incorporação foi baseada em recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), publicada em outubro de 2025.
No Sistema Único de Saúde (SUS), a cirurgia já é realizada com apoio de cerca de 40 plataformas robóticas distribuídas no país. Conforme a legislação vigente, tecnologias aprovadas para uso no sistema público devem ser analisadas e incluídas no rol da saúde suplementar.
A ANS informa que a ampliação do acesso à cirurgia robótica enfrenta limitações relacionadas à distribuição dos equipamentos, concentrados majoritariamente nas regiões Sul e Sudeste, o que pode impactar a oferta em áreas do interior.
Dados apresentados no processo de incorporação apontam que a cirurgia robótica permite maior precisão técnica durante o procedimento, com redução de sangramentos e menor tempo de internação hospitalar. Em relação aos efeitos pós-operatórios, a taxa estimada de incontinência urinária após a cirurgia assistida por robô varia entre 2% e 3%, enquanto na técnica convencional o índice é de cerca de 5%. Também há redução do risco de disfunção erétil em comparação aos métodos tradicionais.

O câncer de próstata é o tumor mais frequente entre os homens no Brasil, com aproximadamente 70 mil novos diagnósticos registrados a cada ano. A maioria dos casos ocorre em homens com mais de 60 anos. Anualmente, cerca de 16 mil mortes são associadas à doença, em grande parte devido ao diagnóstico em estágios avançados.
Os exames utilizados para a detecção precoce incluem o teste de PSA, realizado por meio de exame de sangue, e o toque retal, recomendados a partir dos 50 anos de idade ou dos 45 anos para homens com histórico familiar da doença.