Representantes da empresa Copelmi, responsável pelo projeto Mina Guaíba, não estiveram presentes na audiência pública, nesta quinta-feira (11), na Câmara Municipal de Guaíba. A empresa quer instalar a maior mina de carvão à céu aberto do Brasil entre Eldorado do Sul e Charqueadas. Todos os presentes defenderam a não instalação do projeto de carvão mineral, por trazer danos ao meio ambiente. A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), órgão responsável pelo licenciamento, também estava ausente.
Para o Coordenador de Patrimônio Ambiental da Associação Amigos do Meio Ambiente (AMA-Guaíba), o engenheiro ambiental Eduardo Raguse, foi um desrespeito o não comparecimento, pois Guaíba é um dos municípios que está no raio de abrangência desse empreendimento. Para ele, o projeto não tem viabilidade ambiental e entende que a Fepam deve indeferir o pedido de licença.
A Frente Técnica do Comitê de Combate à Megamineração no RS protocolou pareceres técnicos de cerca de 40 profissionais, como engenheiros, biólogos e sociólogos. De acordo com eles, a mineração poderá impactar na fauna e flora em extinção, lavouras de arroz orgânico, no Rio Jacuí e em moradores da região. “De fato, como a empresa fala, não teria barragem como as que romperam em Mariana e Brumadinho, mas teria uma pilha de estéril, de 30 metro de altura, com os rejeitos enterrados na cava e um lago (que poderiamos chamar de barragem) de 300 hectares”, explica Raguse. O ambientalista ainda questionou se está garantida a autonomia dos técnicos da Fepam para análise do processo.
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A vice-presidente da União de Associações de Moradores de Guaíba, Aline Stolz, salientou que é um realidade que a cidade pode ser afetada pelo projeto, pela proximidade da mina com o Rio Jacuí. Segundo ela, pode haver contaminação com metais pesados e substâncias, gerando um problema grave e complexo no meio ambiente, sobre o Rio Jacuí, que desagua no Lago Guaíba.
A mineradora diz ser comprometida com o processo de licenciamento ambiental, contratou e envolveu cerca de 100 profissionais de diversas especialidades para a elaboração do Estudo de Impacto ao Meio Ambiente (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) . "Estes estudos produziram informações e análises respectivas que apontaram a viabilidade ambiental do empreendimento", escreve em nota.
Segundo a assessoria de imprensa da Copelmi, o engenheiro Cristiano Weber não pode estar presente na evento por motivo de divergência na agenda.