Uma paciente de 39 anos deu entrada no Hospital Centenário, em São Leopoldo, no dia 7 de junho, com diagnóstico de gestação gemelar confirmado por exames de imagem realizados durante o pré-natal. No entanto, apenas uma criança nasceu. O episódio é alvo de apuração por parte da administração municipal, da direção do hospital e do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers).
A mulher, identificada como Silvana Luísa da Silva, realizou acompanhamento gestacional pela rede pública. A primeira ecografia, feita na 18ª semana, apontava gestação única. Contudo, exames subsequentes realizados em abril e maio, em clínica terceirizada contratada pela prefeitura, relataram a presença de dois fetos, com medidas e pesos distintos.

Com base nessas informações, a paciente foi atendida como gestante de gêmeos. Ao ser internada para o parto, apresentou os laudos e registros do pré-natal. Segundo relato da própria gestante, a equipe médica do hospital teria confirmado a presença de dois fetos antes do procedimento. Após o nascimento da primeira criança, sem identificação de sinais de um segundo feto, foi realizada uma intervenção cirúrgica para verificação.
De acordo com a direção do Hospital Centenário, a conduta médica seguiu as informações disponíveis no momento. Um exame anatomopatológico da placenta, divulgado no dia 11 de junho, concluiu que havia apenas um cordão umbilical, o que, segundo a instituição, confirma gestação única.

A clínica responsável pelos exames afirmou que os laudos indicando dois fetos foram emitidos pela equipe técnica e que aguarda a apuração do Cremers sobre a possibilidade de erro ou limitação técnica nas imagens.
O município instaurou uma auditoria para verificar a procedência dos laudos. A Secretaria de Saúde solicitou à empresa terceirizada informações sobre os procedimentos adotados. O hospital também abriu investigação interna e enviou à prefeitura relatório detalhado do atendimento, imagens do sistema de monitoramento e documentação clínica da paciente.
A Polícia Civil foi acionada pela paciente e pelo hospital, mas o inquérito foi arquivado por ausência de indícios de crime. A defesa de Silvana informou que busca atendimento junto ao Ministério Público para relatar o caso. A data para o encontro com a promotoria ainda não foi definida.
A administração municipal afirma que mãe e bebê continuam recebendo acompanhamento da rede pública de saúde. A situação permanece sob análise das autoridades competentes.