Uma manifestação está programada para sábado, 31 de janeiro, em Guaíba, com foco em casos de violência contra animais e na discussão sobre políticas públicas de proteção animal. O ato tem início às 18h, com concentração em frente ao Stock Center e caminhada até a Prefeitura Municipal. A mobilização utiliza a identificação #JustiçaPorOrelha.
A iniciativa ocorre em razão do caso do cachorro comunitário conhecido como Orelha, registrado na Praia Brava, em Santa Catarina. O animal, que vivia na região há cerca de dez anos, foi atacado por quatro adolescentes no dia 4 de janeiro. Socorrido após o episódio, Orelha foi encaminhado a uma clínica veterinária, onde passou por eutanásia no dia 5, em decorrência da gravidade dos ferimentos.
Após a repercussão do caso, a Polícia Civil de Santa Catarina iniciou investigação. Em 26 de janeiro, foi realizada uma operação para cumprimento de mandados de busca e apreensão, com recolhimento de celulares e outros dispositivos eletrônicos. Segundo a polícia, mais de 20 pessoas já foram ouvidas e aproximadamente 72 horas de imagens, captadas por 14 câmeras públicas e privadas, estão em análise. Até o momento, não há registro de prisões. Familiares dos adolescentes foram indiciados pelo crime de coação. Também é investigada uma suposta agressão contra outro cachorro comunitário, conhecido como Caramelo, que teria conseguido fugir.
Os adolescentes envolvidos podem ser submetidos a medidas socioeducativas, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. A polícia informou ainda que dois dos jovens estão nos Estados Unidos em viagem previamente programada.
Em Guaíba, o ato é organizado pelas advogadas Bibiana Chemale e Nathallye Citolin Verlindo, pela vereadora Gabriela Panazzolo e pelo ativista Guilherme Lopes Webkoski. Segundo os organizadores, a manifestação terá caráter pacífico e busca ampliar o debate sobre responsabilização em casos de maus-tratos e sobre a legislação voltada à proteção de animais.
Após o caso, Santa Catarina sancionou a Lei nº 19.726, que institui a Política Estadual de Proteção e Reconhecimento do Cão e Gato Comunitário, voltada a animais que vivem em espaços públicos e recebem cuidados coletivos da comunidade e do poder público.
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