O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o sistema de pagamentos instantâneos Pix e criticou, na terça-feira (3), a inclusão da ferramenta brasileira em um relatório comercial elaborado pelo governo dos Estados Unidos. A manifestação ocorreu durante evento realizado em Catalão, no estado de Goiás, em meio ao aumento das tensões comerciais entre os dois países.
A discussão ganhou força após a divulgação de um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que aponta possíveis práticas consideradas desfavoráveis a empresas norte-americanas no mercado brasileiro. Entre os temas abordados está o Pix, sistema desenvolvido pelo Banco Central do Brasil, que permite transferências instantâneas sem cobrança de taxas para pessoas físicas.
Segundo o documento, a expansão do Pix teria impacto sobre empresas privadas que atuam no setor de pagamentos eletrônicos, incluindo operadoras de cartões e plataformas digitais. O relatório integra uma investigação iniciada durante a gestão do presidente Donald Trump sobre aspectos da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
Durante seu pronunciamento, Lula afirmou que o sistema brasileiro oferece uma alternativa de baixo custo para consumidores e empresas, destacando seu caráter público e a ampla utilização pela população. O presidente também mencionou que o crescimento do Pix vem alterando a dinâmica do mercado de pagamentos no país.
Além das críticas ao sistema financeiro brasileiro, o relatório norte-americano sugere a aplicação de tarifas de até 25% sobre parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos. A medida ainda não foi implementada e faz parte de um processo de análise conduzido pelas autoridades comerciais norte-americanas.
O governo brasileiro e setores econômicos potencialmente afetados terão prazo até 15 de julho para apresentar manifestações sobre o conteúdo do relatório. Após essa etapa, os Estados Unidos poderão decidir pela adoção de medidas comerciais relacionadas às conclusões da investigação.
Lula também afirmou que as negociações entre os dois países estavam em andamento e lembrou que havia sido estabelecido um período de 30 dias para tratativas entre representantes dos governos. Segundo o presidente, os dados da balança comercial demonstram que os Estados Unidos acumulam superávit nas transações com o Brasil.
De acordo com informações apresentadas pelo governo brasileiro, o saldo favorável aos norte-americanos teria alcançado US$ 415 bilhões nos últimos 15 anos. Lula defendeu a continuidade do diálogo diplomático e cobrou esclarecimentos sobre os motivos que levaram à divulgação das novas recomendações comerciais antes da conclusão das negociações em curso.
A possível adoção de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros é acompanhada por setores da indústria e do comércio exterior, que avaliam os impactos que eventuais restrições poderão causar nas exportações destinadas ao mercado norte-americano.
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