O Rio Grande do Sul registrou, em maio de 2025, o maior número mensal de internações por gripe desde 2022. Dados divulgados pela Secretaria Estadual da Saúde (SES) indicam que 594 pessoas foram hospitalizadas por influenza até o dia 29 do mês, superando os totais registrados no mesmo período em 2023 (417) e 2024 (333).
As informações constam no painel de monitoramento da SES, que aponta um aumento expressivo nas hospitalizações por Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) associadas ao vírus influenza. Nas duas primeiras semanas de maio, foram contabilizadas mais de 400 internações, configurando um dos picos mais altos de casos graves por semana epidemiológica dos últimos cinco anos.

O levantamento da SES revela que a maioria das pessoas hospitalizadas em 2025 por complicações respiratórias associadas à gripe não havia tomado a vacina. Cerca de 70% dos casos graves ocorreram entre indivíduos não vacinados. A taxa sobe para 82% quando considerados todos os pacientes hospitalizados por influenza no ano.
A cobertura vacinal entre os grupos prioritários segue abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, que é de 90%. Até o momento, 24,6% das crianças de seis meses a menores de seis anos receberam o imunizante. Entre as gestantes, a taxa é de 20,7%, e entre os idosos, 43%. A média geral de cobertura nos três grupos é de 38,2%, o que representa aproximadamente 1,8 milhão de pessoas ainda não vacinadas.
Entre os hospitalizados, 90% das crianças com menos de seis anos e 73% dos idosos não haviam tomado a vacina. Dados referentes a óbitos por influenza em 2024 indicam que 77,5% das mortes ocorreram entre pessoas não imunizadas.
A diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Tani Ranieri, destacou a importância da vacinação antecipada, lembrando que a proteção conferida pela dose leva cerca de duas semanas para atingir seu efeito máximo.

Apesar do crescimento recente nas internações, o número acumulado no ano — 1.011 até o fim de maio — ainda é inferior ao total registrado em todo o ano de 2024, que foi de 2.328 hospitalizações. No entanto, a tendência de alta com a chegada do inverno levanta preocupação entre profissionais de saúde.
Segundo Ranieri, o vírus influenza A (H1N1) tem apresentado maior circulação em 2025, o que pode estar relacionado ao agravamento dos quadros clínicos observados.
Nos hospitais, o impacto tem sido percebido nas emergências, que enfrentam superlotação. De acordo com a coordenadora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Caroline Deutschendorf, a pressão sobre os serviços aumentou, e o controle da transmissão dentro das unidades tornou-se um desafio adicional.
As vacinas contra a gripe seguem disponíveis nas unidades de saúde para todas as faixas etárias. Até o momento, foram registradas 96 mortes por influenza no Rio Grande do Sul em 2025.