Um adolescente de 14 anos foi apreendido pela Polícia Civil nesta quarta-feira (25) em Itaperuna, no Noroeste Fluminense, após confessar o assassinato dos pais e do irmão mais novo. O crime ocorreu no sábado (21) no distrito de Comendador Venâncio, onde a família residia. Os corpos das vítimas foram encontrados dentro da cisterna da casa, após denúncias de familiares preocupados com o desaparecimento do casal e da criança.
Segundo informações da Polícia Civil, o adolescente relatou que cometeu o crime por não aceitar a proibição dos pais em relação a um relacionamento virtual com uma adolescente do estado de Mato Grosso, que ele conheceu por meio de um jogo online. A investigação aponta que a discordância dos pais sobre a continuidade do contato entre os dois teria motivado o triplo homicídio.

Conforme o depoimento, o adolescente aguardou que os pais adormecessem, acessou uma arma de fogo registrada no nome do pai — que possuía Certificado de Registro como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) — e atirou contra os dois e o irmão de sete anos. Em seguida, utilizou produtos químicos na tentativa de limpar os vestígios do crime e arrastou os corpos até a cisterna da residência, onde os escondeu.
Durante o depoimento à 143ª Delegacia de Polícia, o jovem afirmou que “faria tudo de novo” e não demonstrou arrependimento. Nos dias seguintes ao crime, familiares procuraram contato com os pais do adolescente, mas não obtiveram retorno. Ao ser questionado, o jovem alegou que os pais haviam levado o irmão ao hospital após ele ter engolido um caco de vidro. A avó e um tio estranharam a explicação e acionaram a polícia.

Policiais civis foram até a residência e notaram um forte odor vindo da área externa. Com apoio do Corpo de Bombeiros, a cisterna foi aberta e os corpos das três vítimas foram localizados e encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML).
O adolescente foi apreendido em flagrante e responderá por ato infracional análogo a triplo homicídio e ocultação de cadáver. O caso será encaminhado ao Ministério Público, que deverá decidir sobre as medidas socioeducativas a serem aplicadas. A investigação prossegue para apurar se há envolvimento da adolescente do Mato Grosso ou de terceiros no planejamento ou na motivação do crime.