A gasolina comercializada no Brasil terá novo padrão de qualidade a partir de 3 de agosto, conforme determinação da ANP (Agência Nacional do Petróleo). Entre as três novas exigências do órgão regulamentador dos combustíveis, a mais importante para o motorista é a que estabelece densidade mínima de 715 kg/m³. Em outras palavras, é quanto deve pesar um litro de gasolina: 715 gramas.
Na prática, o combustível terá melhor qualidade e deixará os carros mais eficientes - reduzindo o consumo de combustível e as emissões de poluentes. Por outro lado, o litro da gasolina ficará mais caro, de acordo com a Petrobras. Ainda não há uma estimativa de qual será o aumento. "Em termos finais de custo, acreditamos que será mais positivo, porque poderá rodar mais com menos”, afirmou Anelise Lara, diretora da Petrobras, em uma transmissão da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).
A gasolina brasileira atualemente tem menor teor de enxofre e sua elevada octanagem devido à presença do etanol anidro (25% na premium e 27% na comum). Entretanto, a qualidade no posto é outra história, devido à sua adulteração por donos de postos desonestos e à dificuldade de fiscalização em um país de dimensões continentais, com cerca de 90 mil postos.
Como funciona a densidade
Ainda não havia um padrão estabelecido para a densidade, ou massa específica (ME), fundamental para o bom funcionamento do motor. Pois, quanto menor a densidade, maior o consumo. O problema é que a maioria dos solventes utilizados para se adulterar a gasolina tem peso (densidade) inferior. Então, a exigência de densidade mínima vai complicar a vida de quem “batiza” a gasolina com solventes, garantindo portanto um padrão de qualidade também no posto.
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Todos os postos deverão disponibilizar o densímetro, medidor para testar a densidade da gasolina a pedido do consumidor, simplesmente mergulhando na gasolina, calibrado entre 700 e 750 gramas por litro: se indicar valor abaixo de 715, é prova de combustível adulterado.
Classificação da octanagem e evaporação
Outra novidade é a alteração na classificação da octanagem: até então era o IAD, valor médio entre os dois sistemas de verificação: MON (Motor Octane Number) e RON (Research Octane Number). IAD é usado em alguns países, EUA e Brasil entre eles. Na Europa, a octanagem é definida pelo RON.
Se ela é 80 MON e 90 RON, então é IAD 85, por exemplo. A octanagem da nossa gasolina comum/aditivada é IAD 87. Da gasolina premium (BR Podium, por exemplo), IAD 95. A partir de 3 de agosto, ela não muda, mas terá a classificação RON 92 (=IAD 87) e a premium será RON 97. Além disso, a ANP estabeleceu, para valer a partir de janeiro de 2022, octanagem um pouco maior, RON 93, para a comum/aditivada.
Outra exigência da ANP diz respeito à evaporação da gasolina. A adição de etanol tornou-a ainda mais volátil e, por isso, mais este cuidado para evitar problemas de dirigibilidade. Sua volatilidade pode até resultar em bloqueio nos dutos de combustível, provocado pela formação de bolhas (vapor lock).
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