As relações entre os municípios da Região Metropolitana e o governo federal ficaram tensas após a definição de um prazo de 15 dias para a realização das vistorias na fase recursal do Auxílio Reconstrução, direcionado às famílias afetadas pelas cheias de maio no Rio Grande do Sul. O prazo, anunciado no último dia 1º, gerou preocupações sobre a viabilidade de cumprir a demanda em um estado com 326.732 famílias aptas a receber os recursos.

De acordo com Murilo Machado, presidente da Granpal e prefeito de Triunfo, a principal dificuldade está relacionada ao número de vistorias presenciais exigidas. “Os municípios já indicaram, por três vezes, os endereços das famílias atingidas, mas ainda há recusas e mudanças nos critérios de análise do sistema. Além disso, muitos cidadãos não abriram o sistema para a fase recursal, o que impede a identificação de divergências nos cadastros e dificulta o processo”, explicou.

O presidente da Granpal também destacou que as prefeituras já estão sobrecarregadas com a execução de diversas políticas sociais locais, e a inclusão de mais essa responsabilidade no processo de auxílio, sem a devida estrutura de recursos humanos, comprometeria ainda mais o atendimento à população.

A Granpal apresentou uma proposta de prorrogação do prazo durante audiência com o ministro Antônio Waldez Góes da Silva, do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, nesta terça-feira (5), em Brasília. Murilo Machado afirmou que, como se trata de um benefício com recursos federais, não cabe aos municípios exercer ingerência no processo decisório. “A população não pode ser prejudicada por um prazo tão apertado e com tantas dificuldades operacionais”, concluiu.
